A armadilha do perfeccionismo: por que fazer tudo certo pode custar sua próxima posição
- Mentoria da Maria
- 10 de jul.
- 2 min de leitura
Há um tipo de excelência que constrói carreiras — e um tipo que as prende. A diferença entre as duas raramente aparece nos relatórios de desempenho.
Sally Helgesen e Marshall Goldsmith, no livro "Como as Mulheres Chegam ao Topo", nomeiam esse fenômeno como um dos hábitos que ajudam mulheres a crescer no início da carreira e, ao mesmo tempo, as impedem de continuar subindo: a busca constante pela perfeição.

O hábito que constrói reputação: o perfeccionismo
Fazer tudo bem feito, revisar duas vezes, entregar sem furos — esse é o comportamento que forma a reputação de "quem se pode confiar". Nos primeiros anos de carreira, ele é ativo puro: gera confiança, evita retrabalho, cria a percepção de solidez.
O raciocínio por trás é simples e, por muito tempo, funciona: se eu fizer tudo certo, serei reconhecida. E de fato, em ambientes que recompensam execução impecável, essa lógica se confirma repetidamente — o que só reforça o hábito.
Onde a lógica se inverte
O problema aparece quando a régua muda. Em posições de liderança mais altas, o que se espera já não é execução perfeita — é direção, julgamento sob incerteza, capacidade de decidir com informação incompleta. E é exatamente aí que a busca pela perfeição, que antes era vantagem, vira o freio.
Perfeccionismo, nesse estágio, tende a se disfarçar de rigor profissional. Na prática, funciona como adiamento: adiar a decisão até ter mais dados, adiar a candidatura até se sentir "pronta o suficiente", adiar a palavra final até ter certeza absoluta — uma certeza que, em ambientes complexos, simplesmente não existe.
Depois de mais de duas décadas navegando comitês executivos, reconheço esse padrão de dentro, não como observação acadêmica: as decisões mais determinantes da minha carreira nunca vieram com 100% de certeza. Vieram com 70%, talvez 80% — e a diferença entre quem avança e quem estaciona muitas vezes é só a disposição de decidir dentro dessa margem de incerteza.
O que muda quando você reconhece o padrão
O convite aqui não é abandonar o rigor — é recalibrar onde ele é aplicado. Rigor na análise, sim. Perfeição como pré-requisito para agir, não. Liderança sênior se exerce em condições de ambiguidade; esperar clareza total antes de se posicionar é, na prática, entregar a decisão — e o crédito por ela — a quem estava disposto a decidir com menos informação.
Vale a pergunta, sem pressa de resposta: em que momento da sua semana o "ainda não está bom o suficiente" te impediu de avançar algo que, na real, já estava pronto?




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