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O único item que raramente entra na sua agenda: sua carreira.

  • Foto do escritor: Mentoria da Maria
    Mentoria da Maria
  • 21 de jul.
  • 2 min de leitura

Reunião às 8h. Escola às 12h. Fechamento de relatório à tarde. Jantar, lição de casa, uma ligação de trabalho que "só vai levar cinco minutos" depois que todo mundo dorme. No fim do dia, a conta sempre fecha — de algum jeito, tudo o que precisava ser feito, foi.

Menos uma coisa.

Sally Helgesen e Marshall Goldsmith, em "Como as Mulheres Chegam ao Topo", nomeiam um dos hábitos mais silenciosos entre mulheres em ascensão: colocar o cargo antes da carreira. Não por falta de ambição — por excesso de competência em fazer o resto funcionar.


A conta que nunca fecha, mas sempre parece fechar


Há uma diferença sutil e decisiva entre cargo e carreira. Cargo é a lista de tarefas de hoje: a entrega, a reunião, o problema que precisa ser resolvido antes das 18h. Carreira é a pergunta de fundo, raramente agendada: onde eu quero estar em três anos, e o que preciso construir — visibilidade, relacionamentos, posicionamento — para chegar lá.

O cargo tem prazo. Cobra hoje. A carreira não cobra nada — até cobrar tudo de uma vez, geralmente na forma de uma promoção que foi para outra pessoa, ou de uma pergunta em entrevista de recolocação que revela quanto tempo passou sem direção.


Por que não priorizar a carreira pega justamente quem mais dá conta


Aqui está a ironia: quanto mais competente alguém é em administrar múltiplas frentes — casa, filhos, empresa —, mais fácil é preencher cada hora disponível com tarefa urgente, e mais difícil é abrir espaço deliberado para o que não grita por atenção. Cuidar da carreira não manda e-mail de cobrança. E-mail de cobrança é do chefe, da escola, do fornecedor atrasado.

Em mais de duas décadas liderando equipes e batendo meta, vi essa mesma cena se repetir em times inteiros: as profissionais mais capazes de resolver o dia a dia frequentemente eram as que menos tempo reservavam para pensar no próprio avanço — não por displicência, mas porque a régua com que julgamos nosso valor no dia a dia raramente inclui essa pergunta.


Eye-level view of a woman working on a laptop in a modern office

Onde entra o gesto estruturado


Cuidar da carreira não é mais uma tarefa para encaixar entre a escola e o jantar. É uma categoria diferente de trabalho — que exige tempo protegido, não tempo restante. Uma hora por mês revisando onde você está e para onde quer ir muda mais o rumo dos próximos cinco anos do que dez horas extras resolvendo o urgente de hoje.

A pergunta que fica: na sua agenda desta semana, quanto tempo tinha reservado só para pensar em você daqui a três anos?



 
 
 

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